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A pergunta parece simples, mas exige uma resposta cuidadosa. Em tempos de polarização, tornou-se comum tratar política como sinônimo de disputa, interesses pessoais, corrupção ou politicagem. E, diante desse cenário, muitos passaram a defender que a igreja deve permanecer completamente distante da política.
Mas é preciso separar as coisas.
Política não é a mesma coisa que politicagem.
A politicagem está relacionada ao jogo de interesses, à manipulação, ao oportunismo e à busca pelo poder a qualquer custo. Política, em seu sentido mais amplo, é outra coisa: é a maneira pela qual uma sociedade organiza suas decisões, estabelece prioridades e constrói caminhos para o bem comum.
E isso interessa diretamente à vida das pessoas.
As grandes mudanças sociais passam pela política. Educação, saúde, segurança, economia, direitos, infraestrutura e tantas outras áreas que afetam diariamente a população são definidas, em grande medida, por decisões políticas.
E onde estão as pessoas?
Estão dentro da sociedade.
A igreja é formada por pessoas. Pessoas que trabalham, estudam, pagam impostos, criam seus filhos, enfrentam problemas de segurança, dependem de serviços públicos e participam da construção da comunidade em que vivem.
Por isso, afirmar que a política é "do diabo" é, no mínimo, uma imprudência e uma demonstração de ignorância sobre o papel que a política exerce na vida social.
Isso não significa transformar o púlpito em palanque eleitoral. Não significa confundir fé com partido político. E muito menos significa entregar a igreja aos interesses de grupos ou candidatos.
Significa compreender que fé também produz responsabilidade social.
A igreja não precisa escolher um partido para defender princípios. Ela precisa ter princípios suficientemente claros para avaliar partidos, governos, propostas e representantes.
Existe uma diferença enorme entre fazer campanha política dentro da igreja e formar cidadãos conscientes de seus deveres e responsabilidades.
A boa política precisa ser discutida. Precisa ser comunicada. Precisa fazer parte do diálogo entre os fiéis, não como instrumento de divisão, mas como exercício de cidadania.
Uma igreja que ensina valores, ética, responsabilidade, justiça, solidariedade e respeito ao próximo não pode simplesmente fechar os olhos para aquilo que acontece ao seu redor.
Se a igreja possui valores e princípios, esses valores inevitavelmente dialogam com a sociedade.
A questão, portanto, não deveria ser se a igreja pode falar sobre política. A pergunta mais importante é: como falar de política sem perder a essência da fé?
A resposta passa pelo equilíbrio.
A igreja não deve ser extensão de partido. O pastor não deve ser cabo eleitoral. O púlpito não deve ser usado para manipular consciências. Mas também não podemos exigir que cristãos deixem de pensar, discutir e participar da vida pública simplesmente porque são cristãos.
O cidadão de fé continua sendo cidadão.
E, quando participa da política de maneira consciente, responsável e coerente com seus valores, ele não está necessariamente misturando igreja e Estado. Está exercendo seu papel na sociedade.
A política precisa de ética. Precisa de responsabilidade. Precisa de pessoas dispostas a pensar além dos próprios interesses.
Talvez o grande problema não seja a presença de pessoas de fé na política. Talvez seja a ausência de princípios naqueles que fazem política.
Por isso, é necessário falar de boa política.
Não de politicagem.
Não de idolatria a políticos.
Não de guerras partidárias.
Mas de participação, responsabilidade e construção social.
A igreja, quando compreende seu papel, não precisa dominar a política. Precisa contribuir para formar pessoas melhores — e pessoas melhores também podem ajudar a construir uma sociedade melhor.
No fim, a política continuará existindo, quer a igreja fale sobre ela ou não.
A diferença está em saber se os cristãos serão apenas espectadores das decisões que moldam a sociedade ou se estarão preparados para participar delas com consciência, princípios e responsabilidade.
Política não é do diabo. A corrupção da política é que precisa ser combatida. E a boa política, quando colocada a serviço do bem comum, também pode ser instrumento de transformação da sociedade.
Willian Max
Publicado por:
Rondônia Político
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